AS
DESCOBERTAS CIENTÍFICAS, E SUAS CONSEQUÊNCIAS NO MUNDO RELIGIOSO
O século XVI foi um
dos séculos mais importantes da história humana, pois ele trouxe, várias
mudanças no contexto sócio-político, científico, educacional, e religioso da Europa.
A reforma protestante que teria começado
com padre alemão Martinho Lutero ( 1483-1546), em 31 de Outubro de 1517 na cidade de Wittenberg (Alemanha),
trouxe mudanças políticas, religiosas, e educacionais, para o povo alemão. Umas
destas mudanças foi a liberdade religiosa nas cidades que aderiram a reforma
luterana. A dieta de Speyer (Espira) foi
uma demonstração de que à liberdade religiosa fora de fato conquistada, Franklin Ferreira descreve este fato histórico em seu livro:
Em 1529, os príncipes
católicos reuniram-se em torno de uma resolução que impedia a introdução da
reforma em seus territórios, mas reclamavam liberdade de culto romano nos territórios
conquistados pelo movimento reformador. A recusa solene de príncipes evangélicos
( die Evangelischen), como se chamavam,
de concordar com essa imposição tornou os reformadores conhecidos como “protestantes”.
(FERREIRA, 2013, p.162).
Outra coisa, que esta
reforma religiosa trouxe, foi o desenvolvimento da educação nos países que
adotaram a reforma protestante, já que o princípio do reformador Martinho Lutero o Exame Livre da Bíblia, fez com a bíblia
fosse um objeto de leitura de qualquer pessoa. É claro, a pessoa deveria ser
alfabetizada para ler as Escrituras, por isto, o processo de alfabetização dos indivíduos dos
territórios protestantes foi incentivada para satisfazer este princípio de Lutero,
ou seja, o exame livre da Bíblia. A reforma protestante fez com a educação, se tornasse
algo público, e acessível para as pessoas de classe baixa, algo totalmente
diferente na Idade Média, aonde o
direito ao estudo, era algo pertencente ao clero, e aos nobres. A ciência nesta
época foi sobressaindo com as descobertas científicas por meio dos
cientistas como polonês Nicolau Copérnico ( 1473-1543) e o italiano Galileu Galilei ( 1564-1642), apesar do controle da
igreja católica romana sobre o uso da ciência, pois o uso da ciência, só era permitido
pela igreja católica se tivesse o propósito de confirmar a teologia católica de que o Universo era sinal da obra de um Deus sábio (Deus Cristão). O
brasileiro e físico Marcelo Gleiser, descreve a intenção do católico Copérnico
(1473-1543), ao investigar o Cosmos. “O Demiurgo de Platão, o grande arquiteto cósmico,
transformou-se no Deus cristão de Copérnico. O Cosmo era uma manifestação da
mente divina e portanto, necessariamente perfeito” (GLEISER, 2014, p.54). No protestantismo,
a figura que mais acreditava na ciência como um instrumento de confirmação da
sabedoria divina ao criar um universo tão complexo foi o reformador João
Calvino (1509 -1564). O historiador eclesiástico Alister McGrath, escreve qual
era expectativa que o reformador genebrino depositava na ciência:
Uma tema
persistente em todas as obras de Calvino era sabedoria do Deus invisível e intangível
pode ser discernida em suas obras e ser estudada por intermédio delas-como a
ordem criada. Por isso, Calvino elogiava os cientistas naturais- e até mesmo se
aventurava a expressar um pouco de ciúmes deles- pois podiam vivenciar e
apreciar a beleza e a sabedoria de Deus por meio do que ele criara e moldara. (MCGRATH, 2012, p.370).
No entanto as
descobertas científicas foram esboroando as expectativas cristãs, de que à ciência
era uma ferramenta que servia como corroboração criacionista, de que a criação
era obra da mão divina, como afirma a bíblia cristã. Porém grandes cientistas e biólogos como os ingleses Isaac Newton (1643-1727), e Charles Darwin (1809-1882), tiveram através
de suas investigações cientificas conclusões de que o Cosmos e suas criaturas não estavam sob controle de uma ação divina (Isaac Newton), e nem teriam sido
criados por Deus (Charles Darwin). Para
Isaac Newton (o descobridor da Lei da Gravidade), as leis do universo é o próprio
mecanismo de funcionamento do Cosmos, ou seja, não há necessidade de uma
intervenção divina para o bom andamento do mundo que ele criou.
Isaac Newton foi considerado
um deísta, alguém que acredita na “teoria” do relojeiro, a qual diz, que Deus
criou o universo com os seus mecanismos, a fim que ele funcione sozinho. Mas
quem abalou o mundo religioso foi o naturalista Charles Darwin, que
ao estudar a origem das espécies, tinha a mesma aspiração de outros cientistas
que o antecederam, ou seja, corroborar o poder criativo do Deus cristão por de
trás da criação dos seres vivos. O saudoso defensor da causa ateísta, o inglês Christopher Hitchens ( 1949-2011),
menciona qual era o maior receio de Darwin. “Ele considerava que a descoberta
da adaptação dos seres vivos ao meio ambiente, fizesse com ele trouxesse um alarde,
a ausência de uma causa primeira ou de um grande projeto”. (HITCHENS, 2016, p.
406). E foi isto que aconteceu, suas descobertas levaram a crer que que os seres
vivos, incluindo, a espécie humana, não era fruto de uma ação criativa do Deus
de Gênesis 1-2, e sim, fruto de uma adaptação do meio ambiente que as espécies foram
sofrendo num processo chamado de seleção natural.
Estas espécies tiveram
que sofrer uma mutação das suas características físicas que carregavam de seus
ancestrais, para poder se adaptar com as mudanças que o meio ambiente proporcionava.
Em 1859,Charles Darwin com seu livro A origem das Espécies, impactou o mundo
religioso, no que tange a crença de que o Deus Cristão era o criador dos
homens e dos animais conforme relata o livro de Gênesis 1-2. Para os
evolucionistas a comprovação da teoria da evolução, não é observada apenas em
fósseis dos humanos e nas pistas (pinturas rupestres) deixadas pelos seus ancestrais, as
quais foram encontradas em cavernas nas em que eles habitavam, mas também, nas
grandes e pequenas espécies, como os dinossauros e os microrganismos. As invenções científicas também contribuiu
para erradicar as crenças religiosas do passado, uma delas, era que o raio ou trovão era um castigo divino (parece que Martinho Lutero se tornou monge agostiniano devido ao medo que ele teve de ter sido quase fulminado por um raio) sobre os
transgressores da lei . “Entre
estas últimas estava o Para-Raios- que iria pôr fim a questão de que deus intervém para nos punir em súbitos e aleatórios clarões deste tipo. Hoje não há
torre de campanário ou minarete que não se gabe de possuí-lo" (2016, p.402).
Conclusão
Poderia citar outras
descobertas cientificas e médicas, por exemplo, de que a epilepsia não era decorrente de uma manifestação demoníaca como era ensinado pela religião cristã
antes da chegada da ciência. Mas um pequeno problema no cérebro que os próprios
medicamentos inventados pela ciência médica consegue controlar seus efeitos.
Podia ter mencionado o
que as outras ciências como as ciências sociais e humanas descobriram, e para
que serviu a religião no passado e continua servindo no presente, a religião serviu
e ainda serve como exploração econômica (alemão Karl Max 1818-1883), e conforto psicológico ( austríaco judeu Sigmund
Freud 1856-1939) para os adultos, que ainda carregam resquícios da infantilidade, ou
seja, a necessidade de uma proteção paterna (Deus).
Referências
Bibliográficas
FERREIRA,
Franklin . A igreja Cristã na História
Das Origens aos Dias Atuais. São Paulo: Vida Nova, 2013.
GLEISER,
Marcelo. Criação imperfeita: Cosmo, Vida e o código Oculto da Natureza. Rio de
Janeiro: Record, 2014.
HITCHENS, Christopher. deus não é grande: Como
a religião envenena tudo. São Paulo: Globo
Livros, 2016.
Ibid.,
p.40
MCGRATH, Alister. A revolução protestante: Uma provocante história do protestantismo
contada desde o século 16 até os dias de hoje. Brasília: Palavra, 2012.
A Reforma protestante,foi o começo de tudo .Para que hj pudéssemos ter o entendimento e estudar sobre esse livro maravilho que é a Bíblia.Somos seres pensantes e diferentes em todos os sentidos,e sempre haverá que concorde ou discorde do que a Bíblia diz.Temino meu comentário com 1 Coríntios 1:18-21.
ResponderExcluirA reforma protestante trouxe um grande avanço para a aquisição da bíblia, para que tempos presentes, tivessem a liberdade de acesso à bíblia, mesmo que só fossem alfabetizados, ela para poder chegar até nós, foi um processo de muitas lutas. Hoje temos acesso fácil as escrituras devido à esses grandes homens, mas atualmente,não se vê esse acesso à leiturâ grandes homens.se não cuidarmos,essa liberdade de expressão que temos, correrá riscos de não termos mais. Que a conquista lá atrás por Lutero, não venha ser em vão por uma geração preguiçosa é despreparada biblicamente.
ResponderExcluirA reforma de Lutero
ResponderExcluirB
ResponderExcluirObrigado pelos comentários Unknown.
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