sábado, 18 de março de 2023

                                                     Os Cientistas do Século XVI 

       

 No século XVI ocorreram muitas transformações. Entre estas transformações podemos citar três: Teológica , Política e Científica. Na teologia o pensamento católico sobre Deus, Salvação  e Igreja foi desafiado pelo pensamento protestante. A reforma protestante que ocorreu em 1517 através do monge agostiniano Martinho Lutero ( 1483-1546). Ele deu o ponta pé na reforma religiosa que cristandade iria passar à partir daquele dia. O campo político na europa do século 16 passou por mudanças drásticas , já que muitos Estados católicos viraram Estados protestantes principalmente nos países baixos (Holanda) . Mas quero destacar o campo científico. Neste campo houve várias revoluções é claro a base de muita perseguição e de morte que os proponentes da New Science enfrentaram nesta época por parte da igreja católica romana. Um destes que propôs uma nova cosmovisão cientifica foi Galileu Galilei ( 1564-1642).  Galileu foi alguém que fazia parte da igreja papal , mas também foi alguém que se tornou um cientista , matemático e astrônomo. Ele havia    

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

 

As Influências Soteriológicas no Campo da Economia

 

PARTE 1

 

INTRODUÇÃO

Por: Benivaldo Nunes

 

Neste estudo analisaremos duas correntes da Soteriologia conectadas à questão econômica. É importante salientar que o estudo seguira o viés da escola de Analles, ou seja, analisará a ligação da doutrina soteriológica com a questão econômica - de forma interdisciplinar-. A teologia (não cientifica), a história (ciência humana) e a sociologia (ciência humana) serão empregadas.

 

 

 

 Livre Arbítrio  

 

No século IV d.C., o livre arbítrio foi motivo de debate acirrado na igreja cristã ocidental. Um monge da Bretanha chamado Pelágio passou a ensinar que o livre arbítrio era causa principal na salvação dos homens. Ele falava que todos os homens nasciam com o mesmo livre arbítrio de Adão antes da queda (posse non pecare). Sendo assim, os homens não tinham uma vontade corrompida pelo pecado e nem sua vontade era inclinada ao mal.  Como afirma McGrath:

Os opositores de Pelágio — entre os quais o principal era Agostinho — achavam que ele negava o real papel da graça divina no início e no prosseguimento da vida cristã. O pelagianismo veio a ser encarado como uma forma de religião que pregava a autonomia humana e que sustentava ser o ser humano capaz de tomar a iniciativa de sua salvação (MCGRATH, 2010, p.59).

 

Pelágio negava que a graça de Deus (χάρις τοῦ θεοῦ) fosse essencial na soteria dos seres humanos, para ele os homens podiam ser salvos pela sua capacidade volitiva, que não havia sido corrompida pelo pecado de Adão (אָדָם).

O pelagianismo foi considerado um ensino herético ao colocar o livre arbítrio dos homens como responsável pela salvação e não a graça de Deus.

Pelagianismo foi condenado como heresia no Concílio de Cartago em 1 de maio de 418 d.C. (GRUDEM, p.965).

Porém, o pelagianismo foi eclodindo de tempos em tempos na história eclesiástica, “e no século XVII ele ressurgiu por meio de um Jesuíta” (uma ordem fundada 1540 e denominada de Companhia de Jesus) chamado Luiz Molina”.

Dessa forma: Molina, um jesuíta espanhol, começou a renovar muitos dos erros pelagianos sobre graça e livre arbítrio, eleição e reprovação, e tópicos como esses. Contra ele, Alvarez, um dominicano em Roma, se opôs fortemente (BAILLIE, 2020, p.7).

Para o jesuíta Luiz Molina (1535-1600), havia como solucionar o impasse metafísico da onisciência de Deus e o livre arbítrio das suas criaturas (Imago Dei). Com a sua ideia de conhecimento médio (scientia media), Deus pode, se quiser, saber tudo o que suas criaturas fariam ao serem colocadas em circunstâncias de liberdade. Mas achou por bem não ser necessário usar seu conhecimento natural e nem seu conhecimento livre para saber as ações contingentes de suas criaturas livres.

 De acordo com (GOMIDES FREITAS, 2015): Molina consegue, portanto, preservar o papel da Providência divina sem retirar dos homens a responsabilidade moral por seus atos e escolhas, e, por conseguinte, a importância deles na salvação ou condenação eternas. É aqui que entra a influência pelagiana/molinista no campo da economia. O jesuíta Molina havia estudado na universidade de Salamanca. Mas qual foi a importância que esta universidade teve na idade média?

A universidade de Salamanca, fundada em 1218, carrega o peso de ser o centro de ensino superior mais antigo da Espanha, e o quarto mais antigo da Europa. É mais jovem somente que as universidades de Bolonha, Paris e Oxford, fundadas respectivamente em 1088, 1096 e 1170. Uma característica comum que une as quatro é que todas elas foram formadas por clérigos católicos do período medieval, em geral professores de moral e teologia, que compartilhavam das ideias escolásticas. (ESTRUZANI QUEIRÓZ DE MELO, 2019).

 

 

 

 

Segundo nos informa Helm (1994): Os defensores modernos do molinismo citam esta passagem bíblica para corroborar a ideia do conhecimento médio de Luís Molina:

À medida que seus proponentes buscaram suporte bíblico evidente para o conhecimento médio, eles usaram o exemplo de Davi em Queila registrado em 1 Samuel 23. A este ponto na narrativa bíblica, os Filisteus estavam atacando Queila. Davi perguntou ao Senhor se deveria ir à Queila para guerrear com os Filisteus e o Senhor disse que ele deveria. Os companheiros de Davi estavam com medo e então Davi perguntou uma segunda vez. Em Queila, com medo de que Saul o atacaria lá, Davi perguntou ao Senhor se Saul iria à Queila. A esta altura, lemos a seguinte conversa: "E o Senhor lhe disse: 'Ele virá'. E Davi, novamente, perguntou: 'Será que os cidadãos de Queila entregarão a mim e a meus soldados a Saul?' E o Senhor respondeu: 'Entregarão'. Então Davi e seus soldados, que eram cerca de seiscentos, partiram de Queila, e ficaram andando sem direção definida'" - 1Sm 23v11-13. Na concepção dos Molinistas, o incidente demonstrou o conhecimento médio na prática, pois mostra que o Senhor sabia o que aconteceria se certa ação livre acontecesse - eles suporam que Davi e os outros participantes estavam agindo com livre arbítrio no sentido libertariano. Deus sabia que se Davi escolhesse ficar em Queila, então os cidadãos de Queila escolheriam o entregar. Então Davi escolheu tomar uma ação evasiva e Saul escolheu desistir da expedição contra Davi quando soube o que Davi tinha feito. Deus sabia de tudo isso - e também muito mais - por Sua presciência (HELM, 1994, apud MONTEIRO, 2013).

Molina com sua epistemologia da teontologia/Soteriologia advogou a liberdade do comércio e o fim do monopólio sobre os impostos, dos preços e do mercado. Assim,

O jesuíta aplicou o conceito de liberdade humana e de livre arbítrio à sua visão de política e economia. É a partir desse ponto que Molina se reafirma como defensor do livre comércio. Ele entende que este modelo é justamente o que mais se coaduna com a liberdade que Deus concedeu ao homem. Por isso, se opõe a qualquer tentativa do poder político de regular preços e mercados. Como defensor da liberdade, ele também defendeu a legitimidade da propriedade privada e chamou o comércio de escravos de uma prática imoral (Luis de Molina - Biografia, quem é e o que fez - 2021 Economy-Wiki.com economy-pedia.com).

 

“Seu pensamento do livre arbítrio e soberania de Deus foi o responsável pela construção de seus axiomas advocatício no campo da economia”. Sendo ele provavelmente um grande influenciador do liberalismo econômico de Adam Smith (XVIII). Um dos que defende o molinismo atualmente seria o W.L. Craig, um dos maiores apologistas evangélicos dos USA.

 

Conclusão

 

A teologia, não sendo científica, influenciou várias áreas humanas, como a política, a saúde, a economia, etc. O livre arbítrio, defendido pelo jesuíta Luis Molina, influenciou o liberalismo econômico.

Molina concebeu o mundo como um lugar onde Deus mantém a soberania, sem prejudicar a liberdade das criaturas. O postulado do espanhol Molina sobre a presciência de Deus é rejeitado pelos católicos e reformados. Tanto os católicos e os protestante de linha reforma defendem a teologia clássica da presciência de Deus

 

 Referências Bibliográficas

 

BAILLIE, Robert. O antídoto contra o arminianismo. Natal: Nadere Reformatie Publicações, 2020

 

ESTRUZANI QUEIRÓZ DE MELO, Gabriel. Graça, fé e caridade: notas sobre o livre-arbítrio e a salvação no pensamento jesuítico. [S. l.], 17 abr. 2019. Disponível em: https://redalyc.org/journal/5863/586361733010/html/. Acesso em: 22 fev. 2023.

 

GOMIDES FREITAS, Ludmila. Graça, fé e caridade: notas sobre o livre-arbítrio e a salvação no pensamento jesuítico. [S. l.], 2 maio 2015. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/4497/449748256010.pdf. Acesso em: 22 fev. 2023.

 

MONTEIRO, Denis. O que é Molinismo?. [S. l.], 24 ago. 2013. Disponível em: https://bereianos.blogspot.com/2013/08/o-que-e-molinismo.html. Acesso em: 24 fev. 2023

 

             GRUDEM, Wayne A. Teologia sistemática. São Paulo: Vida, 1999

 

Luis de Molina. Publicações Populares. Disponível em: Luis de Molina - Biografia, quem é e o que fez - 2021 Economy-Wiki.com (economy-pedia.com). Acesso em: 22 fev. 2023.

 

MCGRATH, Alister. Teologia Sistemática - histórica, filosófica: Uma Introdução à Teologia Cristã. 3. ed. São Paulo: SHEDD PUBLICAÇÕES, 2010. 646 p. ISBN 85-88315-34-

 


Autor:
Bacharel em Teologia Livre pela Faculdade Teológica Assembleia de Deus (2011) Graduado em Teologia pela Faculdade Evangélica (2011). Especialização em Hermenêutica pela mesma Instituição (2012). Licenciatura Plena em Filosofia pelo Instituto de Ciências Sociais e Humanas (2018). Pós Graduando em História do Brasil pela Faculdade Única (2021). E graduando licenciatura em Letras - Português e Inglês na Faculdade Anhanguera.

Professor no Instituto de Teologia Pesquisadores da Bíblia.

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Com Vergonha do Evangelho.

Vendilhões do Templo! E se Jesus viesse aqui hoje, vocês seriam expulsos de suas igrejas abaixo de ponta – pé e chibatadas.

Oi você ai que defende o Bolsonaro e mora nos Estados Unidos. Temos um pastorzinho André Valadão que vive propagando fake News e acolhendo gente como Allan dos Santos foragido da Justiça brasileira em sua Igreja nos Estados Unidos.

É o Andrezinho (não aquele jogou no colorado) massacote do bolsonarismo e amigo do chupetinha do Bolsonaro Nicolas Ferreira ( Gadeira). Disse que o Brasil vai piorar se o Lula que é de esquerda acabar sendo eleito. O engraçado é q o pastor Playboy da Alagoinha desce o sarrafo na esquerda, mas mora nos Estados Unidos que segundo ele é presidido por um esquerdista ( Joe Biden).
E fala que o Bolsonaro é o melhor presidente do Brasil, mas não morou no Brasil neste tempo em que Bolsonaro está presidindo a nação brasileira.

O massacote do bolsonarismo que anda de Jatinho com o chupetinha p/a visitar o mito , disse que crente não pode ir ao Show do Rock in Rio, mas ele levou seu filho para o show do Justin Bieber nos USA . Meteu o pau na Marina Silva dizendo que ela é falsa e de esquerda e que na igreja dos esquerdistas ( Ari Ramos) só têm maconheiros. Como pode massacote do bolsonarismo? Sua Igreja tem um pastor que matou brutalmente a Daniela Perez e que só está solto devido à impunidade das nossas leis.

Agora soltou uma fake News dizendo que a Colômbia com seu inédito governo de esquerda aprovou a união livre de adultos com menores de 14 anos. Só que o pastor bolsonarista e pertencente a igreja ( Batista da Alagoinha) que nada mais é do que império de homens como disse o teólogo Yago Martins ( Dois dedos de Teologia) mentiu descaradamente.

Esta aprovação foi em 2021 ainda no governo do Iván Duque que é de direita e apoiador do Bolsonaro. Foi a Suprema Corte deles ( equivalente ao nosso famigerado STF ) que aprovou esta lei. A Bíblia deixa bem claro que o pai da mentira, o Diabo ( Jo 8:44) seu nome significa acusador.
É justamente o que muitos pastores bolsonaristas estão fazendo a obra do Diabo. Eles estão acusando e mentindo. São os vendilhões do templo! Se Jesus viesse aqui, eles seriam expulsos das suas igrejas abaixo de ponta – pé e chibatada.



Pessoal Não Leia apenas a manchete, mas Leia a Matéria. E não esqueça que os mentirosos ñ entrarão no céu AP 21:8. As Fake News levam pessoas a morte como foi o caso de Fabiene mãe de família e evangélica em 2014 na comunidade do Guarujá (espancada até morte devido a fake News) e destrói a reputação de pessoas. É exatamente o que Diabo quer que você faça (Jo 10:10). Deus nos livra destes Vendilhões do Templo e que só usa a política como moeda de troca.






segunda-feira, 28 de maio de 2018


O ANALFABETISMO DE JESUS
BENIVALDO NUNES LIMA[1]

Muitos têm dito que Jesus de Nazaré era um homem muito sábio como foi Confúcio[2] e Buda[3], e que ele foi um mestre da psicologia ,por fim, um grande líder religioso. O interessante é que as pesquisas que têm sido feitas nas últimas décadas apontam que Jesus não era nada mais do que um camponês e alguém que não sabia nem ler e nem escrever. 
Jesus foi um judeu pobre e analfabeto e que viveu na paupérrima Galileia[4] do século I d.C., numa cidade chamada Nazaré, a qual não havia sido mencionada nem pelo historiador judeu Flavio Josefo d.C., e nem pelo Talmude. “Flávio Josefo menciona 45 aldeias na Galileia, mas nunca Nazaré. O Talmud menciona 65 povoados, mas não menciona também Nazaré” (PAGOLA apud  SILVA, 2017, p.69).
Outro fator importante é a ideia moderna de que Jesus fosse um homem letrado já que ele como judeu teria estudado numa escola rabínica conhecida como sinagoga[5] na cidade onde ele teria vivido até os 30 anos na já mencionada cidade de Nazaré. Um texto muito empregado para ratificar de que Jesus sabia ler é o texto de Lucas e o texto de João ( Lc 4.16; Jo 8.8). Todavia, estas duas tradições textuais da alfabetização do galileu Jesus  não tem respaldo arqueológico conforme explica o doutorando em ciência da religião   Hamilton Castro:

No século I d.C., Nazaré era um povoamento judeu na região montanhosa da Galileia, distante das rotas comerciais. No entanto, escavações arqueológicas indicam um povoamento desde cerca de 2.000 a.C., na época de Jesus, os habitantes eram envolvidos com a agricultura e viviam em cavernas pobres, não existem registros arqueológicos de sinagoga46 em Nazaré conforme os evangelhos sinóticos mencionam (Mc 6,1; Mt 13,54; Lc 4,16)   ((THEISSEN; MERZ apud SILVA, 2017, p.69).

Sendo assim o verbo grego αναγνωναe ( anagnonae) ler em Lucas 4.16[6] não pode aplicado a Jesus, pelo fato de que em Nazaré não havia sinagoga, e levando em conta o contexto social que Jesus viveu  , sua família não podia ter tido condições econômicas para lhe oferecer uma educação. O texto de João 8.8[7] não pode ser utilizado para corroborar de que Jesus de Nazaré teria escrito algo no chão, já que este texto é visto pelos críticos textuais[8] como um texto que não consta nos melhores manuscritos do evangelho de João. Portanto o verbo grego εγραφον, ou seja, escrever, também não pode ser atribuído a Jesus, já que este texto não faz parte dos manuscritos mais antigos[9] do Evangelho de João.
  Outro fator para afirmar de que Jesus era analfabeto era o índice de analfabetismo na Palestina romana do século I que era muito alto “e bem ao contrário, a maioria deles, [os cristãos] , assim como a maior parte da população do império (incluindo os judeus), era analfabeta” (EHRMAN, 2015, p. 30 meu destaque). E Ehrman (2015, p.60) também destaca o qual era tipo de pessoa que podia ser alfabetizada no período que abarca o início da história do cristianismo e a história das primeiras cópias do Novo Testamento, ou seja, a Palestina do século I:

Visto que, obviamente, apenas pessoas instruídas podiam ser letradas e dado que alguém se instruir normalmente significava ter o tempo livre e o dinheiro necessários para fazê-lo (menos aqueles que eram alfabetizados como escravos), pode-se depreender que os primeiros copistas cristãos eram os membros mais altamente educados e ricos das comunidades cristãs em que viviam.

Sendo a família de Jesus da região da Galileia[10] e de uma aldeia chamada Nazaré[11] uma aldeia esquecível[12] e que vivia da agricultura ou qualquer trabalho manual[13] além da profissão que Jesus teria exercido um tekton para grega para carpinteiro (mas é provável que Jesus fosse um pedreiro), fazia dele alguém de baixa estatura social . A língua falada por Jesus era o aramaico ((Mc 5.41; 7.34; 15.34) e não língua a hebraica, e se ele falava o grego koiné isto indica que era um comerciante já que a língua grega era usada  para o comércio (business), Jesus não foi um comerciante e sim um pedreiro.   . E como Jesus não fazia parte do sacerdócio por não ter sido da tribo de Levi e nem por ter tido uma educação[14] numa escola rabínica[15]dificilmente ele podia ler algum trecho da Tanakh[16] em hebraico ou da Septuaginta em grego ( LXX ) como, por exemplo, a passagem do profeta Isaías ( Is 61.1-2) conforme mostra o texto de Lucas 4.17-19:
Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; desenrolou-o , encontrando o lugar onde está escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou pela unção para evangelizar os pobres , enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista , e para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor ( BÍBLIA DE JERUSALÉM, 2002).      .           
          
       O que chama atenção neste texto de São Lucas é que ele omite um verso de Is 61.1 ( curar os quebrantados de coração)  e coloca outro em seu lugar Is 35.5 ( se abrirão os olhos do cego) .                           Outra coisa que é preciso salientar é que os textos do evangelhos de Mateus e Marcos que junto com o evangelho de Lucas são chamado de evangelhos sinóticos e que narram que Jesus apenas ensinava em sua terra natal em Nazaré  e não mencionam Jesus lendo  mas apenas ensinando (ἐδίδασκεν)  como em Mateus 13.54 assim como no evangelho de São Marcos 6.2 . Hoje  arqueólogos  têm dito por meio de suas escavações que não existe vestígio de Sinagoga em Nazaré  na época de Cristo Séc I. Então pela lógica hegeliana  ( Tese, Antítese= Síntese)  Jesus não sabia ler , já que na sua  época não havia sinagoga em sua cidade natal. Jesus pela suas condições sociais não teve acesso a uma educação que era apenas para uma pequena elite social
  e religiosa ( saduceus e fariseus) na Palestina do século primeiro.  
E nas palavras de Reza Aslan, judeus como Jesus dificilmente falaria o hebraico e o grego de forma fluente:
O hebraico era língua dos escribas e estudiosos da lei, e estudiosos da lei, a língua do conhecimento. Camponeses como Jesus teriam tido enorme dificuldade em comunicar-se em hebraico, mesmo em sua forma original, razão pela maior parte das escrituras foi traduzida para o aramaico, o idioma principal do campesinato judaico: a língua de Jesus. É possível que Jesus tivesse algum conhecimento básico de grego, a língua franca do império Romano (ironicamente o latim era língua menos utilizada nas terras ocupadas por Roma)-, o suficiente, talvez, para negociar contratos e lidar com clientes, mas com certeza não o suficiente para pregar ( ASLAN,  2013, p.59-60).


Diante de tudo foi dito acima à conclusão que se chega é que Jesus pode ter sido um grande sábio como parecer demonstrar o sermão do monte (Mt 5-7) o qual faz parte da fonte Q ( tradição oral que antecede os evangelhos sinóticos) ou um líder religioso |ou Mashiach. Mas que ele era um homem letrado ou poliglota não coaduna com os fatores educacionais, linguísticos e sociais e históricos nos quais ele esteve envolvido, e se ele era Deus como afirma o Credo Niceno ( 325 A.D), ele não sabia ler e nem escrever. E se os teólogos afirmam que Jesus sabia ler por causa do texto bíblico de Lc 4.16 ou João 8.8 para eles a frase da música do cantor cazuza deve ser levada em conta : suas ideias não correspondem aos fatos.    

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASLAN, Reza. Zelota: a vida e a época de Jesus de Nazaré. Tradução de Marlene Suano. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.
Ibid., p.59-60

BÍBLIA DE JERUSALÉM.. Nova Edição, Revista e Ampliada. São Paulo. Paulus, 2002.

EHRMAN, Bart D. O que Jesus disse? O que Jesus não disse? Quem mudou a Bíblia e por quê? Tradução de Marcos Marcionilo. Rio de Janeiro: Agir. 2006.
Ibid., p. 60
Ibid., p. 73,75
Ibid., p. 71

LIVRO DAS RELIGIÕES. Tradução Bruno Alexander. São Paulo: Globo Livros, 2014.
LOPES, Reinado José. Como ele nasceu Deus. São Paulo: Abril, 2015.

MIRANDA, Evaristo E. De; MALCA, José M. Schorr. Sábios Fariseus: Reparar uma Injustiça. São Paulo: Loyola, 2001.

MONEY, Neta Kemp de. Geografia Histórica do Mundo Bíblico. São Paulo: Vida Nova, 1977.

PAROSCHI, Wilson. Crítica Textual do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1993.

SILVA, Hamilton Castro. Jesus de Nazaré e a tributação romana: empobrecimento, endividamento e o impacto no ambiente dos camponeses a partir de marcos 12,13-17. Dissertação em Ciência da Religião-PUC. Goiás, p.132. 2017.
Ibid., p. 69   
Ibid., p.70

USARSKI, Frank. O budismo e as outras: Encontros e desencontros entre as grandes religiões mundiais. Aparecida, SP: Ideais & Letras, 2009. 

VINE, W.E. UNGER, M.F. WHITE, William. Dicionário Vine: O Significado Exegético e Expositivo das Palavras do Antigo e do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.





[1] Benivaldo Nunes Lima é graduado em Teologia pela Faculdade Teológica Evangélica  de Brasília, e Pós-graduado pela mesma Faculdade em Hermenêutica , mestrando em Ciência da Religião na PUC-Goiás, e Docente de Teologia na Faculdade Teológica ITEBE e no Instituto Foco.   
[2] De acordo com a tradição, Confúcio nasceu em 551 a.C. em Qufu, no estado de Lu, China. Seu nome original era Kong Qiu, é só mais tarde ele foi batizado de Kong Fuzi, ou mestre Kong. [...] Como professor, Confúcio viajou por todo império chinês, regressando no fim da vida a Qufu, onde morreu, em 479 a.C.  Seus ensinamentos sobreviveram em fragmentos e ditados transmitidos oralmente por seus discípulos e compilados posteriormente em Os analectos e outras antologias idealizadas por estudiosos confucianos ( LIVRO DAS RELIGIÕES , 2014, p.75).
[3] De acordo com várias fontes, Siddharta Gautama viveu 560 a.C. e 480 a.C. Depois de ter-se tornado um buda, circulou por cerca de 45 anos em uma área de aproximadamente 400 quilômetros quadrados , situada na atual fronteira do Estado indiano de Bihar e o Nepal. Nesse período, atraiu um numero crescente de seguidores. Ao falecer, não deixou nenhum sucessor no comando de sua comunidade. Estava convencido de que esta se mostrava suficientemente coesa e preparada para se nortear meramente com base na doutrina até então elaboradora ( USARSKI, 2009, p.22-23).
[4] A mais setentrional das províncias ocidentais, compreendia todo território ao N de Samaria até ao monte Líbano, estendendo-se de E a O, entre o mar da Galileia e o Mar Mediterrâneo  e Fenícia. Coincidia essa região com território que coube às tribos de Zebulom, Aser, Naftali e grande parte de Issacar (MONEY, 1997, p.197).   
[5] A origem da sinagoga judaica deve, provavelmente, ser designada ao tempo do exílio do babilônico. Não tendo templo, os judeus se reuniam no sábado para ouvir a lei, e a prática continuou em vários edifícios depois da volta do exílio (VINE; UNGER; WHITE JR, 2009, p.995).
[6] Ele foi a Nazara, onde fora criado, e, segundo seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para fazer a ‘leitura’ (BÍBLIA DE JERSUSALÉM, 2002, meu destaque).
[7] Inclinando-se de novo, escrevia no chão (BÍBLIA DE JERUSALÉM, 2002).
[8] Também teve destaque em que a paixão de Cristo, de Mel Gibson, embora o filme se concentre apenas nas últimas horas de Jesus (a história é tratada em um dos raros flashbacks do filme). Apesar de toda essa sua popularidade, o relato se baseia em apenas uma passagem do Novo Testamento, João 7:53- 8:12, e nem mesmo ali parece parte do contexto original. [...] Como, então, ela foi acrescentada? Há numerosas teorias acerca disso. Muitos pesquisadores pensam que provavelmente se tratava de relato bem conhecido que circulava na tradição oral de Jesus, que a certa altura foi acrescentada à margem de algum manuscrito. A partir daí, algum copista ou alguém achou que a nota marginal devia ser parte do texto e a inseriu imediatamente depois da narrativa que acaba em João 7:52. Deve-se notar que os outros copistas inseriram o relato em diferentes pontos do Novo Testamento - alguns deles depois de João 21:25, por exemplo, e outros, o que é bem interessante, depois de Lucas 21:38. Em todo caso, quem quer tenha escrito o relato, não foi João. (EHRMAN, 2009, p. 73,75).  
[9] Cf. PAROSCHI, 1993, p.47-49
[10] Camponeses da Galileia normalmente não eram letrados, assim como algo entre 90% e 95% da população do império romano ( LOPES, 2015, p.195).
[11] A ANTIGA NAZARÉ REPOUSA sobre o cume irregular de um morro batido pelos ventos na baixa Galileia. Não mais do que uma centena de famílias judias que vivem nessa pequena aldeia. Não há estradas, não  edifícios públicos. Não há sinagoga. Os moradores compartilham um único poço de onde tirar água fresca. Uma única casa de banho, alimentada por um fio de chuva captado e armazenado em cisternas subterrâneas, serve toda a população. É uma aldeia de camponeses em sua maioria analfabetos, agricultores e diaristas, um que não existe em nenhum mapa ( ASLAN, 2013, p.51).  
[12] João 45 Filipe encontrou Natanael e lhe disse: "Encontramos aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas: Jesus, filho de José, de Nazaré". 46 Perguntou-lhe Natanael: "De Nazaré pode sair algo de bom?" Filipe lhe disse: “Vem e vê” ( BÍBLIA DE JERSUALÉM, 2002).
[13] A família de Jesus era bastante pobre, uma família de classe trabalhadora. O relato mais antigo demonstra que Jesus era um τέκτων, tekton (Mc 6.3), uma palavra que normalmente é traduzida como “carpinteiro” ou “construtor”, embora possa ser utilizada em qualquer contexto onde as pessoas realizam trabalho manual, por  exemplo uma pessoa que trabalha com pedras, um pedreiro, ou uma pessoa que trabalhe com ferros, ferreiro. Para encontrar trabalho, Jesus precisava sair de Nazaré e percorrer os povoados mais próximos. É possível que Jesus tenha trabalhado em Séforis, capital da Galileia que ficava a cinco quilômetros de Nazaré. Por outro lado, alguns estudiosos entendem que não temos base real para tal afirmação (PAGOLA apud CASTRO, 2017, p.70). Assim, o Jesus histórico era uma pessoa que tinha uma ocupação das classes baixas (EHRMAN apud SILVA, 2017, loc.cit).         
[14] Sobre a educação de Jesus, alguns estudiosos pensam que existia na Palestina do século I, um sistema educacional obrigatório. Entretanto, essas informações são oriundas da Michna, do Talmude de Jerusalém e do Talmude de Babilônia, principais escritos da literatura rabínica. Todavia, a Michna foi concluída por volta do ano 200.  Aqueles que acreditam na existência de um sistema educativo generalizado no início do século I na Palestina baseiam-se principalmente no Talmude de Jerusalém, um comentário da Michna que foi concluído por volta do ano 400 (BERNHEIM, 2003, p. 55-56 e LEITE, 2006, p. 280- 281 apud SILVA, 2017, p. 71).
[15] Os fariseus, sensus lato numa primeira aproximação, foram os sábios rabínicos. Eles viveram, escreveram e pregaram, essencialmente, entre os séculos II a.C e II d.C. Em sua maioria eram pessoas de origem humilde e burguesia: carpinteiros , ferreiros, sapateiros , pescadores, policiais, pedreiros, tecelões, comerciantes etc. Eles tiveram uma atuação histórica decisiva no destino do povo judeu . O estudo da torá  e sua interpretação estavam em suas primeiras preocupações. Reunidos em pequenas comunidades, respeitavam todas as prescrições anunciadas pelos mestres e eram considerados modelos de piedade religiosa ( MIRANDA; MALCA, 2001, p23). 
[16] João 7.15 Admiravam-se então os judeus, dizendo: Como entende ele de letras sem ter estudado? ( BíBLIA DE JERSUALEM).

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